Arigatou mais uma vez, Japão!
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Reencontro com os ex-colegas de estágio na Construtora Saiki Kensetsu, Oita.


O meu primeiro contato com as terras nipônicas aconteceu em 2001 quando acabara de ser graduada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal do Espírito Santo e ter sido contemplada com uma bolsa de estágio na construtora Saiki Kensetsu, situada na prefeitura de Oita, província japonesa que estabelece relações diplomáticas com o estado do Espírito Santo, minha terra natal. Desde esta primeira experiência de ter vivido no Japão, guardei comigo as melhores lembranças e impressões sobre o país. Estas memórias me perseguiram e transpareciam em inúmeras situações da minha rotina desde o ano de 2002, quando voltei ao Brasil e comecei trabalhar ativamente como arquiteta no mercado capixaba.
 Durante o exercer da minha profissão fiz uma especialização na área de Gerenciamento de Projetos, para que eu pudesse estar mais capacitada a administrar o meu próprio escritório. Nesse período percebi que a gestão de projetos era uma interface muito positiva e pouco explorada nas práticas da arquitetura e, assim, me senti impulsionada a aprofundar os meus conhecimentos, usando as práticas de gerenciamento de projetos em favor da arquitetura chamada sustentável, tema que eu já havia abordado desde o meu trabalho final de graduação. Retomando o meu interesse e simpatia pelo Japão, busquei informações sobre qual universidade e qual supervisor poderia melhor me apoiar neste tema dentro de um programa de mestrado.  
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Descontração com os membros do Laboratório, após celebração de fim de ano
Assim, em 2008, graças à bolsa de pós-graduação oferecida pelo governo japonês, iniciei a minha segunda temporada nipônica, imaginando que eu já fazia idéia do que iria enfrentar. Engano meu. Viver em Tóquio se configurou em uma experiência completamente distinta da que foi viver na pequena e aconchegante cidade de Oita. Eu estava diante da maior metrópole do mundo, onde a dinâmica e a velocidade das pessoas, das oportunidades e das informações se mostrava infinitamente maior e mais agressiva do que eu poderia ter calculado. Por outro lado, pude perceber que Tóquio mantém muito da tradição milenar da belíssima cultura japonesa. Dentro da nova realidade eu senti uma grande necessidade de acelerar o meu rítmo, ao qual eu consegui me adaptar gradativamente, para acompanhar e desfrutar das inúmeras as oportunidades que me eram oferecidas em termos, tanto de conhecimento científico, quanto cultural.  Além do mais, o fato estar atuando dentro do Instituto de Ciências Industriais da conceituada Universidade de Tóquio, me aproximou da célula gênese das grandes inovações concebidas no Japão. Desta maneira, aquela situação me favoreceu em proporcionar um enérgico prosseguimento na minha pesquisa de mestrado, incentivada pelo ambiente amistoso do laboratório do meu supervisor, professor Yashiro Tomonari, em que se configurou a minha base de estudo no decorrer do tempo. Após dois anos de permanência, pesquisei, desenvolvi, escrevi e defendi a minha dissertação de mestrado e recém iniciei o desdobramento do mesmo tema no curso de doutorado, viabilizado pela extensão da mesma bolsa de estudos, cuja inscrição foi feita ali mesmo, orientada pela Universidade.
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Viagem para Kyoto durante a visita que recebi de minha mão em minhas férias

Sem dúvida, também passei por muitos momentos de dificuldades durante estes dois anos, os quais me tornaram mais forte e melhor preparada para enfrentar a vida. Além da clara diferença cultural entre os paises, ficar longe do Brasil significou estar limitada de interação com as pequenas e grandes coisas que aconteciam com as minhas pessoas queridas. Entretanto, pude me dar a chance de conhecer o Japão de uma maneira mais ampla, não somente em termos científicos, mas também em termos de cidades, de pessoas, de culinária, de cultura, de peculiaridades, dentre outros. Felizmente, recebi a visita de algumas pessoas queridas e pude apresentá-las um lugar que eu passei a amar diante dos defeitos e das qualidades que pude perceber ao longo da minha jornada.  graduation_pic.jpgQuero expressar a minha imensa gratidão ao governo do Japão e aos responsáveis pelo setor de bolsas do consulado japonês no Rio de Janeiro por terem me selecionado diante de tantos outros candidatos para que eu pudesse vir ao Japao estudar e me qualificar como cientista, mas muito mais, como ser humano.

Ivana Almeida de Figueiredo
Bolsista de pós-graduação 2008-2010