ECONOMIA


DESENVOLVIMENTO DO PÓS-GUERA

A economia do Japão é um florescente complexo de indústria, comércio, finanças, agricultura e todos os outros elementos de uma estrutura econômica moderna.

A economia da nação encontra-se em um avançado estágio de industrialização, suprida por um poderoso fluxo de informação e uma rede de transportes altamente desenvolvida. Um dos traços da economia japonesa é a importante contribuição da indústria e da prestação de serviços, tais como o transporte, do comércio por atacado e a varejo e dos bancos ao produto interno líquido do país, no qual os setores primários, como a agricultura e a pesca, têm hoje em dia uma quota menor. Outro traço é a importância relativa do comércio internacional na economia japonesa.

O Japão é um país isular, pouco dotado de recursos naturais e que sustenta uma população de mais de 120 milhões de habitantes em uma área relativamente pequena. Contudo, apesar dessas condições restritivas e da devastação de seu parque industrial durante a Segunda Guerra Mundial, o Japão conseguiu não apenas reconstruir sua economia, mas também tornar-se uma das principais nações industrializadas do mundo. Ao mesmo tempo, entretanto, o processo de rápida expansão industrial, junto com mudanças nas condições econômicas japonesas e internacionais ocorridas nos últimos anos, criou vários problemas econômicos que o país deve enfrentar hoje em dia.

Recuperação do Pós-Guerra

Durante alguns anos após a derrota japonesa na Segunda Guerra Mundial, a economia da nação ficou quase totalmente paralisada em virtude da destruição causada pela guerra, com uma séria escassez de alimentos, uma inflação descontrolada e um agressivo mercado negro. A nação perdeu todos os seus territórios de além-mar e a população ultrapassou a marca dos 80 milhões de habitantes, com o acréscimo de cerca de seis milhões de repatriados do exterior. Fábricas foram destruídas pelo fogo dos ataques aéreos. A demanda interna caíra com a cessação das encomendas militares e o comércio exterior era restrito pelas forças de ocupação. Mas o povo japonês começou a reconstruir a economia devastada pela guerra, auxiliado no início pela ajuda à reabilitação dos Estados Unidos. Em 1951, o Produto Nacional Bruto foi recuperado ao nível de 1934-36. O crescimento populacional inibiu a recuperação da renda per capita da nação, mas em 1954 esse indicador também recobrou o nível de 1934-36 em termos reais. O pessoal militar desmobilizado e os civis desconvocados juntaram-se ao mercado de trabalho proporcionando uma larga oferta de trabalhadores para a reconstrução econômica no início do período do pós-guerra.

Várias reformas sociais realizadas após a guerra ajudaram a moldar uma estrutura básica para o subseqüente desenvolvimento econômico. A desmilitarização do pós-guerra e a proibição de rearmamento estabelecidas pela nova Constituição eliminaram o pesado ônus provocado pelos gastos militares sobre os recursos econômicos da nação. A dissolução dos Zaibatsu (enormes monopólios empresariais) libertou as forças da livre concorrência, e a propriedade da terra cultivável foi redistribuída em grande quantidade entre os antigos arrendatários agricultores, dando-se a eles novos incentivos para a melhoria de seus lotes. Também foram removidos os obstáculos às atividades sindicais, tendo como resultado o fato de a segurança de emprego dos trabalhadores tornar-se mais protegida e abriu-se o caminho para o aumento constante dos níveis salariais.

Com o 'sistema de produção prioritária', deu-se ênfase ao aumento da produção do carvão e do aço, os dois principais focos do esforço industrial do país. A elevação da produção do aço estabeleceu a base para uma decolagem global da produção, caracterizando um impulso no investimento de capital, sustentado pela recuperação do consumo. Em seguida, a produção foi incrementada não apenas nas indústrias de base, tais como a do aço e dos produtos químicos, mas também em novas indústrias produtoras de vens de consumo, tais como as de aparelhos de televisão e de automóveis.

Rápido Crescimento Econômico

A economia japonesa continuou a expandir-se rapidamente de meados dos anos 50 até a década de 1960, tendo sofrido apenas duas breves recessões, em 1962 e em 1965. A taxa média de crescimento anual esteve próxima dos 11% em termos reais, durante a década de 1960. Compare-se isto com os 4,6% da República Federal da Alemanha e os 4,3% dos Estados Unidos, no período de 1960 a 1972. E essa taxa também ficou bem acima do dobro da média da taxa de crescimento do próprio Japão de antes da guerra, que era cerca de 4% ao ano.

Concorda-se em geral que a rápida expansão da economia japonesa do final dos anos 50 até a década de 1960 foi impulsionada pelo vigoroso investimento da indústria privada em novas fábricas e equipamentos. O elevado nível de poupança das famílias japonesas proporcionou aos bancos e outras instituições financeiras amplos recursos para um pesado investimento no setor privado. O aumento dos gastos de capital foi associado com a introdução de nova tecnologia, muitas vezes sob autorização de empresas estrangeiras. O investimento para a modernização tornou as indústrias japonesas mais competitivas no mercado mundial, criou novos produtos e deu às empresas japonesas as vantagens da produção em massa e melhorou a produtividade por operário.

Um outro fator que está por trás do crescimento econômico do Japão durante esse período foi a existência de uma abundante mão-de-obra com um elevado grau de educação. Um número razoavelmente grande de jovens entrava no mercado de trabalho a cada ano, e também houve uma acentuada migração de trabalhadores agrícolas para as fábricas e os empregos de prestação de serviços, que em sua maioria estavam localizados nas cidades maiores.

Conforme melhor exemplifica o plano de duplicação da renda em dez anos anunciado em 1960, a política econômica do governo, na época, objetivava encorajar a poupança, estimular os investimentos, proteger as indústrias de crescimento e fomentar as exportações. O Japão beneficiou-se com o clima de expansão da economia mundial e com a disponibilidade de um abundante suprimento de energia, que vinha do estrangeiro por um preço relativamente barato durante esse período.

Após uma breve recessão em 1965, a economia japonesa desfrutou de um longo período de prosperidade até por volta do verão de 1970, com a taxa de crescimento real durante esse período variando em torno dos 12%. O principal fato por trás desse crescimento foi o aumento do investimento de capital, usado para maiores gastos destinados a realizar a economia de escala, construir mais instalações para aumentar a capacidade de exportação e adquirir o equipamento necessário para responder às mudanças no meio social e econômico, tais como as ferramentas que economizavam o trabalho e aparelhos para eliminar a poluição. O aumento das exportações devido à maior competitividade de preços dos produtos japoneses também serviu de suporte para a constante ascensão das atividades comerciais.

A Economia na Encruzilhada

Com a rápida expansão de seu Produto Nacional Bruto, em 1968 o Japão chegou ao segundo lugar, atrás apenas dos Estados Unidos, entre as economias de mercado em termos de escala econômica nacional. Ao mesmo tempo, entretanto, este crescimento rápido fez surgir vários problemas e desequilíbrios: uma relativa demora na modernização de campos como a agricultura e as empresas menores; uma tendência constante de subida dos preços dos bens de consumo; uma escassez de moradias e de infra-estrutura como as estradas e outras instalações para uso diário; a poluição do meio ambiente e a destruição da natureza; e o despovoamento das regiões rurais e a super-população nas cidades.

A prosperidade sustentada do Japão impulsionou sua posição internacional, mas o rápido aumento de suas exportações e o crescente superávit de seu balanço de pagamentos geraram um aumento das mudanças de outros países em direção ao protecionismo. As mudanças nas circunstâncias internacionais e domésticas em torno da economia japonesa, que haviam se desenvolvido em silêncio durante a segunda metade da década de 1960, vieram à tona de repente no período entre 1970 e 1975. Em agosto de 1971, os Estados Unidos anunciaram a suspensão da convertibilidade do dólar em ouro, pondo um fim de fato ao sistema monetário internacional de Bretton Woods, que tinha sido um dos principais pilares de apoio ao desenvolvimento econômico do mundo livre no período do pós-guerra. Em fevereiro de 1973, as principais nações do mundo, inclusive o Japão, mudaram para um sistema de taxas de câmbio oscilantes. O tumulto nos negócios monetários internacionais contribuiu para um surto de inflação em todo o mundo.

Dentro do Japão, as tendências inflacionárias foram agravadas pela frouxa política monetária adotada para estimular a atividade econômica e reduzir o superávit da conta corrente do país. O primeiro choque do petróleo, no outono de 1973, atiçou ainda mais alto as chamas da inflação, e em 1974 os preços para o consumidor aumentaram mais de 20%.

Como resposta, o governo aumentou as taxas de juros, reduziu os investimentos públicos e tomou outras medidas para assumir o controle da demanda total, provocando uma acentuada queda no crescimento econômico. O crescimento real no ano fiscal de 1974 (abril de 1974 a março de 1975) caiu para -0,4% e o país viu-se na dificuldade econômica mais séria desde os primeiros anos do pós-guerra. O choque do petróleo realçou a fragilidade da economia japonesa, que tinha passado a contar muito com o petróleo importado como fonte de energia. Nos anos seguintes, a atividade econômica recuperou-se um pouco, mas jamais atingiu os níveis do período de crescimento rápido. E o quadro fiscal nibou-se com a queda da arrecadação de impostos, que redundou da morosidade da economia. No orçamento suplementar para o ano fiscal de 1975, o governo foi forçado a lançar mão do financiamento de déficit pela primeira vez desde a guerra e, desde então, o orçamento tem-se mantido no vermelho.

No final de 1978, no exato momento em que o Japão finalmente mostrava sinais de recuperação dos efeitos do primeiro choque do petróleo, a revolução no Irã desencadeou a segunda rodada da alta dos preços do petróleo. Tendo aprendido com a experiência do primeiro choque, o governo reagiu rapidamente, estancando a emissão de moeda e tomando outras medidas para impedir que inflação saísse de seu controle e, no verão de 1980, os preços estavam mais ou menos estabilizados. Mas a economia entrou numa fase de recessão, enquanto as empresas cortavam o nível dos estoques e reduziam os gastos de capital e as pessoas reduziam os gastos em consumo e os investimentos em moradia. As altas taxas de juros dos Estados Unidos prolongaram ainda mais a recessão no Japão.


SITUAÇÃO ECONÔMICA ATUAL

Tendências Macro-Econômicas

As taxas de dois dígitos de crescimento econômico real que o Japão manteve durante os anos 60 e o início da década de 1970 terminaram com a primeira crise do petróleo em 1973-74 e, desde a segunda crise do petróleo (1979-80), têm sido comuns as taxas de crescimento de menos de 4%. A indústria japonesa, que enfrentou aumentos dramáticos tanto nos custos de energia como nos de mão-de-obra resultantes das crises do petróleo, fez esforços desesperados para reduzir as necessidades de energia e mão-de-obra e para introduzir uma nova tecnologia. Esses esforços colocaram, realmente, o Japão em uma posição de competitividade no plano internacional mais forte do que antes das crises do petróleo.

No início dos anos 80, uma recessão econômica global fez com que caísse o consumo de petróleo e enfraquecesse de maneira acentuada a solidariedade da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP). Em março de 1983, a OPEP reduziu seus preços divulgados e isto marcou o início de um período de petróleo mais barato.

A combinação desses acontecimentos com outros fatores, tais como o dólar forte e o iene fraco e uma recuperação da economia americana, também teve um efeito benéfico sobre a economia japonesa no início dos anos 80. Dramáticos aumentos em investimento de capital no setor privado e o crescimento nas vendas da exportações tiraram finalmente a economia do longo túnel de recessão, e a taxa de crescimento real ascendeu para um nível satisfatório de 5,1% no ano fiscal de 1984 (abril de 1984 - março de 1985) e 4,3% no ano fiscal de 1985.


PRODUTO INTERNO BRUTO E TAXA ANUAL DE CRESCIMENTO

PRODUTO INTERNO NOMINAL
2003
TAXA DE CRESCIMENTO
REAL (%)
  ($ Bilhões) Per Capita ($)
2000
2001
2002
2003
Suíça 319,9 37.400
3,7
1,0
0,2
-0,5
Estados Unidos 10.933,5 36.200
3,7
0,5
2,2
3,1
Noruega 468,4 512,2
3,5
1,2
0,2
-0,7
Japão 4.300,9 31.200
2,8
0,4
-0,3
2,7
R. F. da Alemanha 2.403,1 24.100
3,1
1,0
0,2
-0,1
Canadá 853,8 23.100
5,3
1,9
3,3
1,7
França 1.757,5 23.500
4,2
2,1
1,1
0,5
Itália 1.468,3 20.400
3,2
1,7
0,4
0,4
Austrália 518,7 20.700
3,3
2,7
3,4
3,3
Reino Unido 1.795,0 26.400
3,8
2,1
1,6
2,2
Espanha 838,6 16.200
4,2
2,8
2,0
2,4

Em setembro de 1985, as cinco principais nações industrializadas concordaram em empreender ação conjunta para baixar o dólar, que estava muitíssimo alto. Nos 12 meses seguintes, o dólar teve uma queda dramática de mais de 240 ienes para menos de 160. O impacto deflacionário desse aumento do valor do iene teve um efeito sério sobre a economia japonesa.

Apesar de a taxa de crescimento ter tido seus altos e baixos, a economia do Japão continua em segundo lugar no mundo livre em termos do tamanho total. De acordo com a estimativas publicadas em setembro de 1987 pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico, o Produto Nacional Bruto do Japão em 1986 totalizou 1.985,5 bilhão de dólares, superado apenas pelo PNB dos EUA que foi de 4.166,8 bilhões de dólares. O PNB per capita do Japão de 16.127 dólares é o quarto mais alto entre as 24 nações do OCDE. Compare-se esta cifra com os 17.246 dólares dos Estados Unidos e os 22.800 dólares da Suíça, que está em primeiro lugar. A posição do PNB per capita do Japão é bem mais alta hoje em dia do que em 1968, quando ele alcançou pela primeira vez a República Federal da Alemanha e se tornou a segunda maior economia do mundo ocidental com base no PNB per capita, ficando bem atrás dos Estados Unidos e das nações da Europa ocidental.

Durante 1985, o Japão tornou-se a maior nação credora do mundo e, no final de 1986, seus ativos líquidos no exterior tinham alcançado a cifra de 180,4 bilhões de dólares. Os Estados Unidos, que antes eram o maior credor mundial, tornaram-se devedores no final de 1985, com os passivos líquidos chegando a 111,9 bilhões de dólares, e no final de 1986 esses passivos haviam inchado para 263,6 bilhões de dólares.

A coordenação política e o ajuste estrutural das principais nações industrializadas são essenciais a fim de corrigir esses desequilíbrios na economia mundial e atingir um crescimento constante sem inflação. Os participantes da reunião da cúpula de 1986, em Tóquio, concordaram em aumentar seus esforços nesses campos e decidiram que o "Grupo dos Sete", constituído pelos ministros da Finanças e pelos presidentes dos bancos centrais das sete nações representadas na reunião de cúpula, realizasse consultas periódicas para assegurar a efetividade da coordenação política.


CONTAS NACIONAIS

VALORES EM TRILHÕES DE IENES ANO FISCAL
  2001 2002 2003
Produto Nacional Bruto (A.F. 2003 = 100%)
505,8
498,3
497,8
Consumo privado
294,2
296,9
299,3
Aumento nos estoques privados
0,0
-1,3
0,5
Consumo estatal
87,1
89,2
90,1
Exportações de bens, serviços e transferências
56,0
60,6
66,7
Importações de bens, serviços e transferências
46,2
47,1
49,4
Taxa de Crescimento Nominal
-1,1
-1,5
-0,1
Taxa Real de Crescimento
0,4
-0,3
2,5

Decidiram também estabelecer um sistema de fiscalização multilateral das taxas de câmbio e outros indicadores econômicos.

Durante 1987, nas reuniões do Grupo dos Sete, nas conferências ministeriais da OCDE e na conferência de cúpula de Veneza, as nações participantes concordaram em reforçar a coordenação política e explicitaram a responsabilidade dos países com superávits em seus balanços de pagamentos quanto a formular políticas destinadas a fortalecer a demanda interna e reduzir seu superávit externo, e a responsabilidade dos países com déficits em reduzir seus desequilíbrios fiscais e externos.

No momento, o Japão está trabalhando para corrigir seus desequilíbrios externos o mais rápido possível, através de um firme processo de ajuste estrutural em direção a uma economia voltada mais para a demanda interna do que para as exportações. O governo está dando ênfase especial neste contexto à expansão da demanda interna nas categorias em que o Japão ficou para trás das nações avançadas da América do Norte e da Europa ocidental, em particular na construção de moradias e na infra-estrutura.

Em maio de 1987, o governo anunciou um pacote de medidas econômicas de emergência, que incluíam um gasto adicional em obras públicas de cinco trilhões de ienes e cortes no imposto de renda, cujo valor atinge a mais de um trilhão de ienes. E, no orçamento fiscal de 1988, o governo aumentou os gastos em obras públicas em cerca de 20% a mais do que no orçamento fiscal inicial de 1987. O setor privado também está trabalhando para sustentar a posição do Japão na comunidade internacional através do desenvolvimento de uma estrutura industrial voltada para a demanda interna.

 
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