ARTES VISUAIS


BELAS-ARTES

Os objetos remanescentes mais antigos da arte japonesa são imagens de barro que datam da Idade da Pedra e figuras de pedra bruta de um período um pouco posterior. Um desenvolvimento ainda mais posterior foram as imagens mortuárias de argila chamadas de haniwa, que foram desenterradas de antigos mausoléus. Elas apresentam um certo avanço técnico e hoje são muito apreciadas como exemplos de arte primitiva.


Influência do Budismo

A introdução do budismo em 538 d.C. levou a um período cultural de súbito florescimento artístico, que atingiu seu auge no período cultural Asuka (538-645), quando as artes foram encorajadas pelo apoio imperial. Foram construídos muitos templos budistas, inclusive o célebre Templo Horyuji próximo a Nara, que se acredita ser a construção de madeira mais antiga do mundo. A influência budista é particularmente evidente na escultura figurativa que floresceu nesse período. A ênfase era dada à solenidade e à sublimidade e os traços era idealizados.

O Hakuho, ou o chamado período inicial da cultura Nara (645-710), que se seguiu ao período Asuka, foi uma época de forte influência chinesa e indiana. O achatamento da forma e a rigidez da expressão na escultura do período Asuka foram substituídos, pela graça e o vigor. O Tempyo, ou o chamado período final da cultura Nara (710-794), foi a era de ouro do budismo e da escultura budista no Japão. Hoje em dia podem ser vistas algumas das grandes obras desses período em Nara e em seus arredores. Ela refletem um grande realismo combinado com uma rara serenidade.

Um estilo idealizado de expressão retornou na era seguinte Konin-Jogan (794-899), quando os ensinamentos místicos da seita budista exotérica Shingon influenciaram a escultura dessa época. As estátuas dessa era são maciças de forma e místicas na expressão. A era Konin-Jogan caracterizou o primeiro século do período Heian, que continuou até 1192. A família Fujiwara tomou o poder, e as características da escultura desse período são a elegância e a beleza, às vezes à custa do vigor.

O contato com a China foi cortado, e as influências antes introduzidas do exterior foram então assimiladas e evoluiram para um novo tipo de arte japonesa. A delicadeza e perfeição da forma caracterizam o novo gosto artístico desenvolvido nessa época. Essas características também são vistas na arquitetura singular desse período.

Durante essa era, a pintura assumiu uma posição importante, quase que pela primeira vez. Foi nessa era que se desenvolveram o tipo de pintura conhecido como yamatoe (pintura ao estilo japonês) e a arte do emakimono (rolos ilustrados).


Influência do Zen

A austeridade do regime d aclasse guerreira e do Zen-budismo foi refletida no período subseqüente Kamakura (1192-1338), quando a escultura tornou-se extremamente realista no estilo e vigorosa na expressão. A influência do Zen foi refletida na pureza e simplicidade da arquitetura desse período. Ainda hoje em dia podem ser encontrados na arquitetura japonesa traços da influência da tradição estabelecida no período Kamakura. Os rolos ilustrados e as pinturas de retratos também estiveram em voga durante esse período.

O sumie, o delicado estilo da pintura a pincel com tinta preta, foi desenvolvido no período Muromachi (1338-1573). Ele se originou na seita budista do Zen, que estava familiarizada com a arte da China da dinastia Sung.

O período Azuchi-Momoyama (1573-1602), que se seguiu, foi um tempo de transição. Também foi um período de grande sofisticação artítica. Os artistas expressavam-se com cores vivas e desenhos elaborados. Foram introduzidos os suntuosos biombos flexíveis. Os castelos e templos eram decorados com elaboradas esculturas de madeira. Máscaras de grande refinamento artístico começaram a ser usadas no teatro nô.

A forma artística mais famosa do período Edo (1603-1868) talvez tenha sido o gênero de pintura Ukiyoe, que ganhou imensa popularidade entre o público em geral. É bem conhecida a influência do Ukiyoe sobre a arte européia da segunda metade do século XIX. A escultura entrou em declínio durante o período Edo, mas as artes manuais tiveram consideráveis avanços.


Influência Ocidental

A segunda metade o século XIX foi um período em que as influências ocidentais se fizeram sentir na arte japonesa. Hoje em dia existem, lado a lado, as formas ocidentais e os estilos tradicionais japoneses, que às vezes mesclam-se entre si em um novo processo de assimilação mútua e revigoramento. Os japoneses nutrem um profundo interesse pelas manifestações artíticas, tanto como espectadores como praticantes. A pintura e o desenho são hábitos muito populares para as horas de lazer. Um grande número de exposições de arte é realizado durante todo o ano nas principais cidades e atrai imensas multidões. A exposição anual de arte mais antiga e mais impressionante do Japão é a ampla Exposição de Arte Nitten; ser selecionado para expor nela é uma das honras artísticas mais elevadas do país.

Desde a guerra tem havido um animado intercâmbio artístico internacional. Muitas pinturas japonesas e outras obras de arte têm sido expostas no exterior e são realizadas no Japão inúmeras exposições de obras estrangeiras. Além da Exposição Japonesa de Arte Internacional, que também é conhecida como a Bienal de Tóquio, a Exposição Bienal Internacional de gravuras, que se realiza em Kyoto, é muito conhecida no mundo.


ARQUITETURA

Durante muito tempo a madeira serviu de base para a arquitetura japonesa. Embora seja um país relativamente pequeno, o Japão foi agraciado com abundantes recursos florestais, e a madeira é o material mais adequado para o clima quente e úmido. A pedra não se adequa à construção no Japão tanto por razões de suprimento como de economia, tendo sido usada para um pouco mais do que o escarpamento de castelos.

Um traço notável da arquitetura japonesa é a coexistência de tudo, desde os estilos tradicionais, que foram transmitidos de geração a geração, até as modernas estruturas que empregam as mais avançadas técnicas de engenharia.


Estilos Arquitetônicos Tradicionais

Arquitetura de Santurário: uma das formas mais antigas sobreviventes no Japão de hoje é a arquitetura de santuário. O santuário Ise Jingu em Ise, na prefeitura de Mie, cujas origens são desconhecidas, é um monumento arquitetônico especialmente importante, que é reconstruído a cada vinte anos com o uso das técnicas originais de construção, sendo que a próxima reconstrução está programada para 1993. A construção simples de cipreste japonês sem pintura reflete o aspecto e espírito da antiga arquitetura japonesa, que se destinava a mesclar-se de maneira harmoniosa com o ambiente em volta.

A influência do budismo:o budismo que chegou ao Japão através da China, no século VI, exerceu uma grande influência sobre a arquitetura japonesa. A arquitetura dos templos budistas transmite, com seus impenentes materiais de construção e escala arquitetônica, uma magnífica imagem do continente. O salão que guarda a estátua do Daibutsu (Grande Buda), no templo Todaiji, em Nara, concluído no século VIII, é a maior estrutura de madeira do mundo.

Tanto Nara como Kyoto, antigas capitais do Japão, construídas no século VIII, foram projetadas segundo o método chinês de planejamento urbano, que dispõe as ruas em um padrão de tabuleiro de xadrez. A Kyoto moderna conserva a forma que teve à época.

O desenvolvimento de estilos japoneses nativos: no período Heian (794-1192), o budismo sofreu uma japonização gradual. O Shinden-zukuri, o estilo arquitetônico empregado nas mansões e casas da nobreza, é característico da arquitetura residencial desse período. O telhado coberto de casca de árvore do cipestre repoosa em pilares de madeira e vigas; o interior tem assoalho de madeira sem divisórias fixas dos aposentos; e ouso de biombos flexíveis e de uma só folha, o tatami e de outros materiais leves, possibilitava a livre definição do espaço vital. O Gosho de Kyoto (Palácio Imperial), lar de gerações de imperadores, ainda exemplifica muito bem essa disposição. Alguns traços do aspecto exteriro, como os materiais de construção, o telhado de declividade abrupta e calhas largas ainda podem ser vistos nas moradias japonesas de hoje.

Uma outra característica do Período Heian foi o aparecimento dos jardins com tanques e pavilhões de pesca.

A influência do Zen: no período Kamakura (1192-1338), os samurais assumiram poder, depondo a nobreza como classe dominante na sociedade. A chegada do Zen-budismo da China nessa era fez surgir o estilo arquitetônico Tang nos templos e mosteiros de Kyoto e Kamakura. Em um dado momento, ele se transformou na arquitetura de vários andares de templos como o Kinkakuji (templo do Pavilhão Dourado) e o Ginkakuji (templo do Pavilhão Prateado) em Kyoto. Tornaram-se populares os jardins de paisagem seca, nos quais são usados areia, pedras e arbustos para simbolizar montanhas e água. Embora todos eles fossem meios muito extravagantes dos samurais e da nobreza mastrarem seu poder, deles resultou também o florescimento de uma cultura artística singularmente japonesa.

O chá, que foi transmitido ao Japão pela China, popularizou-se entre as classes altas na era Muromachi (1338-1573). O espírito da casa de chá, que era construída especialmente para a cerimônia do chá, eventualmente passou a influenciar a arquitetura residencial e desenvolveu-se um estilo arquitetônico chamado sukiya-zukuri, ou estilo da cabana da cerimônia do chá. A Katsura Rukyu de Kyoto, que antes foi uma vila imperial, é o exemplo máximo desse estilo. Constriída na primeira parte do período Edo (1603-1868), sua estrutura é famosa por sua soberba harmonia e rara simplicidade. O jardim é considerado um dos melhores exemplos da jardinagem parisagística japonesa.

A construção de castelos: muitos castelos foram construídos no Japão durante o século XVI, quando o espírito guerreiro domunou a sociedade japonesa. Embora fossem construídos como bases militares, os castelos também cumpriam um importante papel em tempos de paz como símbolo do prest&icute;gio de um senhor e como centro de administração. Por esta razão, eles eram projetados não apenas para os propósitos militares, mas também tendo em mente a estética. Hoje em dia sobrevive um grande número de cadstelos em cidades espalhadas pelo país. Talvez o mais proeminente deles seja o Castelo Himeji, que muitas vezes &ecaute; comparado com uma garça branca por causa de sua beleza equilibrada.


O Desenvolvimento da Arquitetura Moderna

Com a Restauração Meiji em 1868 surgiu um período de modernizaç˜o e ocidentalização e foram introduzidas as técnicas de construção que usam a pedra e tijolo. O novo estilo espalhou-se pelo país e foi adotadoa em muitas fábricas administradas pelo governo e repartições oficiais. Tornaram-se cada vez mais populares os prédios de escritórios e residências que incorporavam os desenhos ocidentais. Entretanto, as estruturas de pedra e tijolo construídas pelos m&ecaute;todos convencionais não conseguiram ficar de pé no grande terremoto de 1923, que reduziu Tóquio a escombros. Depois disso foram feitos progressos na pesquisa sobre métodos de construção à prova de terremotos, e entrou em voga a arquitetura do concreto armado, mais ou menos na mesma época emque tal ocorria na Europa Ocidental.

Desenvolvimento do pós-guerra: ao superar o pesado golpe que foi a Segunda Guerra Mundial, o Japão entrou em um período de crescimento econômico rápido, no qual a engenharia arquitetônica, que usa o aço e o concreto, atingiu um dos níveis mais elevados do mundo. Foi projetado um grande número de prédios, que proporcionaram uma contribuição significativa à arquitetura internacional. Nos últimos tempos tem havido uma tendência de expressar as formas tradicionais japonesas, usando tecnologia e materiais modernos.

O Estádio Nacional de Yoyogi, construído para as Olimpíadas de Tóquio em 1964, e os vários tipos de arquitetura vistos na Exposição Mundial de Osaka em 1970 exemplificam um resultado do crescimento econômico japonês do pós-guerra, doqual o país pode orgulhar-se. Recentemente têm chamado a atenção as formas arquitetônicas originais e as tendências pós-modernas criadas por jovens arquitetos, que tanto trabalham no exterior como no Japão.

Tem surgido um grande número de projetos de construção de habitações em larga escala, como a Cidade Nova Senri, em Osaka, para suprir a demanda de moradias causada pelo aumento populacional do país e, nas grandes cidadesm, onde a terra é escassa, a engenharia de arquitetura dos prédios ultra-altos tem feito notáveis progressos para suprir a grande demanda de espaço para escritório. Um bloco de arranha-céus em Shinjuku, no centro ocidental de Tóquio, que é chamado de subcentro da capital, ergue-se como símbolo do status econômico do Japão.

Uma recente tendência espetacular tem sida a reurbanização do centro de Tóquio, enfocada em prédios inteligentes como o complexo Ark Hills, para satisfazer as necessidades de uma cidade internacionalizada e com intenso nível de informação. Os prédios inteligentes são são conectados com as redes de telecomunicação mais avançadas do mundo e são adminsitrados automaticamente.


DESENHO


Desenho Técnico

No campo do desenho ténico, vários implementos, ferramentas, talheres e outros itens adequados à vida moderna estão sendo mildados com base nas t&ecaute;cnicas tradicionais japonesas, tais como a da laca, o trabalho em madeira, a cerâmica, o trabalho em metal, a fundição, a gravação de relevo, a tecelagem e a arte de tingir. Esses produtos do trabalho manual, frutos do clima e da cultura singulares do Japão, estão granjeando popularidade como artesanatos folclóricos modernos.


Desenho de Moda

No campo da moda, nos últimos anos, os modistas japoneses vêm ganhando aclamação especial no plano internacional. Quando os modistas japoneses começaram a ser notados pela primeira vez no exterior, a origem do interesse foi a curiosidade acerca do gosto e estilo japoneses, mas, hoje em dia, os pioneiros Mori Hanae, vieram Ashida Jun, Kawakubo Rei, Miyake Issei, Takada Kenzo e Yamamoto Yoji. A ocidentalização do estilo japonês de vida deixou pouca oportunidade para o uso do tradicional quimono, mas um novo senso de valores e novos modelos estão gerando uma reavaliação do quimono e dos modos de usá-lo.

 
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